terça-feira, 1 de novembro de 2011

Teologia gay

Intimidade entre iguais desafia a Igreja Evangélica no Brasil
Por João Luiz Santolin, Sergio Viula e Júlio Severo

Rm 1.21-32 – “porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém. Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro. E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm; estando cheios de toda a injustiça, malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pais; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia; os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam.”


Quem vê as recentes conquistas do movimento gay (palavra inglesa que significa alegre, como adjetivo, e homossexual, como substantivo) na mídia e na sociedade nem imagina que até a década de 1950 não havia nenhum movimento organizado por homossexuais em prol de seus “direitos”. Em apenas 50 anos, os homossexuais saíram do aparente anonimato para o status de defensores dos direitos humanos. O fenômeno, ao contrário de muitos outros movimentos sociais, não foi espontâneo. O plano foi cuidadosamente engendrado e paulatinamente executado, visando à homossexualização da sociedade, objetivo bem expresso na frase “o mundo é gay”, cunhada pelos próprios militantes. E para neutralizar a oposição da Igreja, intelectuais e teólogos envolvidos na militância lançaram as bases do que hoje se chama “Teologia Cristã Gay”. Preocupado com a influência dessa Teologia, o ICP convidou o Movimento pela Sexualidade Sadia (MOSES) para refletir e produzir a matéria que ora chega até você. Boa leitura!

Contradições teológicas

Para validar seu comportamento, os militantes homossexuais recorrem a todo tipo de argumentação. À primeira vista, as pessoas menos informadas podem achar que as declarações dos ícones do movimento gay fazem sentido e se baseiam em fatos incontestáveis. Puro engano. Na verdade, esses argumentos não resistem a uma análise mais acurada e desprovida das motivações que estão por trás da maio ria das afirmações dos mentores do movimento gay, incluindo sua teologia. Luiz Mott, doutor em Antropologia e presidente do “Grupo Gay da Bahia”, considerado o maior mentor intelectual do movimento gay no Brasil, utiliza argumentos teológica, histórica e cientificamente inconsistentes. Esses argumentos são, na verdade, importados dos Estados Unidos e da Europa, onde nasceu e se desenvolveu a chamada “Teologia Gay”. Portanto, vamos nos ater a seus argumentos, tendo em vista que, analisando a Teologia de Mott, estaremos focando os principais postulados da “Teologia Gay” mundial. Por exemplo, em artigo publicado na revista SuiGeneris (periódico gay), Mott lança o seguinte desafio: “Jesus era gay?” Absurda em si mesma, a pergunta norteia toda a tendenciosidade do artigo. E como todas as seitas costumam fazer, Mott ataca diretamente a pessoa, o caráter e a missão de Jesus, esvaziando os conteúdos da fé cristã para tentar demonstrar que Jesus era gay.

Mott começa seu ataque levantando dúvidas quanto à existência histórica de Jesus de Nazaré. Causa estranheza que um doutor em Antropologia, supostamente familiarizado com a História, alegue a inexistência da maior personalidade de todos os tempos. Até mesmo os inimigos de Jesus deram testemunho dele. Isso para não falar que a própria História foi dividida entre antes e depois de Cristo. Se a existência de Jesus foi uma fraude, César, Nero, Napoleão e Hitler são meras projeções da mente humana, pois a mesma História registra a existência e os atos de cada um. Entre os testemunhos históricos extrabíblicos acerca de Jesus estão os de Flávio Josefo (historiador judeu 37-95 d.C.), do Talmude (coleção de doutrinas e comentários rabínicos acerca da Lei, elaborada a partir do primeiro século da Era Cristã), os Anais de Cornélio Tácito (historiador romano, morto em 120 d.C.), Caio Suetônio Tranqüilo (escritor e senador romano que viveu entre 69-141 d.C.), Plínio, o Moço (governador romano entre 62-113 d.C.), Adriano (imperador de Roma entre 117-138 d.C.), Luciano de Samosata (poeta grego do começo do segundo século), Júlio Africano (cronologista, comentando os escritos de um historiador samaritano chamado Talo, datados do ano 52 d.C.), Mar Bar-Serápio (prisioneiro sírio escrevendo uma carta a seu ilho por volta do ano 73 d.C.). Corroborando os registros anteriores, Joseph Klausner, ex-professor de Literatura Judaica em Jerusalém, afirma em seu livro Jesus of Nazareth: “Se apenas possuíssemos estes testemunhos, saberíamos efetivamente que na Judéia viveu um judeu chamado Jesus, a quem chamaram o Messias, o qual fez milagres e ensinou o povo; que foi morto, por ordem de Pôncio Pilatos, por denúncia dos judeus...” Portanto, Luiz Mott precipita-se quando afirma que “a fé é sempre um passo no escuro”. Os cristãos, além do resplendor da infalível e inerrante Palavra de Deus, possuem as luzes da História. É como disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida” (João 8.12). Além das contradições no campo da História, Mott não perde a oportunidade de pecar contra a verdade bíblica no campo da Teologia. Em seu panfleto “O que todo cristão deve saber sobre homossexualidade”, o “Grupo Gay da Bahia”, instituição presidida por Luiz Mott, apresenta dez motivos por que a Bíblia supostamente não reprova o homossexualismo. Seu primeiro equívoco foi dizer que “a palavra homossexual só foi inventada em 1869... Portanto, como a Bíblia foi escrita entre dois e quatro mil anos atrás, não poderiam os escritores sagrados ter usado uma palavra inventada só no século passado”. Isso demonstra total falta de compreensão sobre o que significam terminologia e conceito. A palavra homossexual, ou homossexualismo, é termo recente, mas o conceito é antigo. É o próprio Mott quem diz que “a prática do amor entre pessoas do mesmo sexo, porém, é muito mais antiga que a própria Bíblia”. Portanto, a Bíblia fala sobre a prática homossexual mesmo sem utilizar a terminologia moderna, uma vez que o homossexualismo sempre foi contemporâneo dos escritores bíblicos. Mott vai além da guerra de palavras e ataca o Levítico afirmando que “do imenso número de leis do Pentateuco apenas duas vezes há referência ao homossexualismo (...) que inúmeras outras abominações do Levítico – como comer carne de porco ou o tabu em relação ao esperma ou ao sangue menstrual (...) foram completamente abandonadas”. O que o antropólogo ignora é que se há duas referências ao homossexualismo no Pentateuco (Lv 18.22; 20.13), e ambas são proibitivas e punitivas, já se vê que Deus reprova a prática do homossexualismo sem necessidade de qualquer outro argumento. Além deste erro grosseiro, confundir preceito moral com cerimonial – ou seja, rituais – é um equívoco imperdoável mesmo para um iniciante em hermenêutica. Cerimônias foram removidas mediante o sacrifício de Cristo na cruz (Col. 2:14-17) Mo ralidade, não. Copiando na íntegra o desgastado argumento da homossexualidade entre Davi e Jônatas, Mott pergunta retoricamente: “Se o homossexualismo fosse prática tão condenável, como justiicar a indiscutível relação homossexual existente entre o rei Davi e Jônatas?” Indiscutível sobre que bases? Na verdade, quando Davi disse que o amor que sentia por Jônatas ultrapassava o de mulheres, icou claro que este amor não tinha qualquer conotação erótica. Vale destacar o comentário exegético do rabino Henry I. Sobel à revista Ultimato, de setembro/outubro de 1998: “... a palavra hebraica ahavá não significa apenas amor no sentido conjugal/sexual, mas também no sentido paternal (‘Isaque gostava de Esaú’, Gn 25.28), no sentido de amizade (‘Saul afeiçoou-se a Davi’, em 1 Sm 16.21), no sentido de amor a Deus (‘Amarás o Senhor, teu Deus’, em Dt 6.5) e no sentido de amor ao próximo (‘Amarás o próximo como a ti mesmo’, Lv 19.18). Em todos estes exemplos, o verbo usado na Torá (a Bíblia hebraica) é ahavá. É por razão lingüística – e não por falso pudor – que a maioria das traduções bíblicas cita 1 Samuel 1.26 assim: ‘Tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres’.” Amor das mulheres era algo que Davi conhecia muito bem. Sua poligamia com Mical, Abigail, Ainoã, Maaca, Agita, Abital, Eglá e seu adultério com Bate-Seba mostram que a maior diiculdade de Davi era a atração pelo sexo oposto (1 Sm 18.27; 25.42-43; 2 Sm 3.2-5; 11.1-27). Os “intelectuais” da militância gay teimam em ignorar os fatos. Além do problema com a História e a Teologia, revelam total desconhecimento da geograia da Terra Santa. Argumentando sobre o texto de Eclesiastes 4.11 (“Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?”), tentam demonstrar que num clima quente como o da Judéia dormir juntos só pode ter conotação erótica. Ignoram, porém, que em Israel também neva. Exemplo disso é o rigoroso inverno que em janeiro deste ano atingiu a Terra Santa, espalhando neve por toda parte. Além de acusarem Davi de homossexualidade, os militantes sugerem que Salomão – mulherengo como era! – teria escrito a favor do homossexualismo, o que não encontra respaldo hermenêutico no contexto do versículo que, na verdade, fala de cooperação mútua. Falando sobre Sodoma e Gomorra, a militância gay afirma que quando os homens daquelas cidades pediram a Ló para conhecer os visitantes (os dois anjos com aparência humana) eles não pretendiam manter relações sexuais com eles: “...maliciosamente se interpretou o verbo ‘conhecer’ como sinônimo de ‘ato sexual’.” É verdade, porém, que o verbo que aparece neste contexto é o hebraico yada, que tem vários significados e, segundo, especialistas, aparece mais de 900 vezes no Antigo Testamento, por exemplo: Saber – Gn 15.8; dar-se conta – Gn 3.9; reconhecer – Gn 12.11; conhecer pessoas – Gn 29.5; ser esperto em algo – 1 Rs 9.27; ter relações sexuais – Gn 4.1; 19.5; 19.8; Jz 19.22. Na história de Sodoma e Gomorra, esse verbo tem conotação sexual (Gn 19.5 – a ameaça dos homens o demonstra claramente), pois a resposta de Ló oferecendo suas duas ilhas virgens tem conotação sexual. Mas eles não queriam as mulheres. Seu desejo era homossexual. Uma das melhores traduções da Bíblia foi feita pelo judeu André Chouraqui e chama-se A Bíblia – No Princípio. A tradução literal em sua Bíblia é: “Faze-os sair até nós, vamos penetrá-los” (Gn 19.5). E: “Tenho duas ilhas que homem algum jamais penetrou “(Gn 19.8). Isso está em completa harmonia com o ensino do Novo Testamento em Judas 7, que confirma que a intenção dos homens de Sodoma era realmente de violação homossexual, assim como o demonstram 2 Pedro 2.7-10 e 1 Timóteo 1.8-10 que lista diversas violações da lei colocando os sodomitas lado a lado com os parricidas, matricidas e roubadores de homens. “Não há evidência histórica ou arqueológica confirmando a real existência de Sodoma e Gomorra”, dizem os militantes. Por que, então, eles perdem tanto tempo com toda a argumentação discutida até aqui? Entretanto, erram por não levar em consideração os últimos achados arqueológicos. Bryan Wood, diretor da Associates for Biblical Research (Associados para a Pesquisa Bíblica), afirma: “Quando empregamos as informações disponíveis das escavações e o emparelhamento geográfico destas cidades, podemos identificar Bab edh-Dhra como Sodoma, Numeria como Gomorra, es-Sai como Zoar, Feifa como Admá e Khanazir como Zeboim. Ele acredita que a evidência é imperiosa e por isso conclui: ‘Estas cidades da Era do Bronze Antigo, descobertas no país da Jordânia logo ao sudeste do Mar Morto, formam uma linha norte-sul ao longo da bacia sul do Mar Morto. Elas todas datam do tempo de Abraão e parece que são verdadeiramente as cinco cidades da planície mencionadas no Antigo Testamento’.” (Stones cry out, livro a ser lançado pela CPAD sob o título “As pedras clamam”). Tentando neutralizar os escritos paulinos contra o comportamento homossexual, os militantes argumentam que as palavras afeminados e sodomitas empregadas em 1 Coríntios 6.9-11 foram mal traduzidas. Entretanto, as palavras gregas malakoi e arsenokoitai têm significados específicos. Malakoi significa “macio ao tato”. Arsenokoitai é composta de duas outras palavras arsen (macho) e koitai (cama). Em outras palavras, esse termo se refere aos homens que vão para a cama com outros homens. Mas homossexualismo não é o único pecado sexual condenado na passagem em questão. Pornoi (fornicadores) e moichoi (adúlteros) mostram que não é só o homossexualismo que exclui pessoas do reino de Deus. Em contrapartida, o texto deixa claro que ninguém precisa permanecer excluído do reino, pois na igreja que estava em Corinto (cidade extremamente libertina onde o homossexualismo e a pedofilia eram considerados normais) havia alguns que deixaram o homossexualismo, bem como os outros pecados. “Jesus Cristo nunca falou nenhuma palavra contra os homossexuais!”, bradam os militantes. Mais uma tentativa frustrada para perverter a simplicidade do Evangelho. O fato de Jesus nunca ter mencionado especificamente o homossexuais mo não significa sua aprovação. Ele também não se pronunciou claramente sobre muitos outros problemas sociais, tais como: seqüestros, abuso sexual, prostituição infantil, tráfico de drogas. Entretanto, a Palavra apresenta direta e indiretamente os princípios inegociáveis de Deus para a moralidade e dignidade humanas. Na verdade, ao se referir ao plano de Deus para a sexualidade, Jesus reafirmou o ensino vetero-testamentário sobre o casamento heterossexual e monogâmico (Mt 19.4-6). A única alternativa ao casamento nestes termos é o celibato voluntário, concessão que Ele abriu ao ensinar que é melhor ser eunuco pelo Reino de Deus do que se divorciar e casar-se de novo (Mt 19.9-12). Quanto à alegação de que Jesus era gay porque “conviveu predominantemente com os apóstolos (todos homens), que ele era muito sensível falando de lírios do campo, que era amigo de muitas mulheres, que tinha muita sensibilidade com as crianças ou, ainda, que nutria uma predileção por João”, só revela a falta de bom senso que patologiza as relações mais simples e puras entre um homem e seus semelhantes. Certamente, uma compreensão correta da natureza divino-humana de Jesus jamais permitiria sequer uma suposição destas. O Deus Eterno que se fez homem jamais nutriria por suas criaturas qualquer tipo de amor que não fosse puramente ágape (amor de Deus pelos homens). E foi exatamente isso que Jesus demonstrou por todos. Mas Luís Mott prefere extrair sua cristologia deturpada de conceitos mitológicos sobre deuses como Zeus e Oxalá, “andróginos e praticantes do homo erotismo” (atração física entre seres do mesmo sexo) como seus idealiza dores. Por isso, ele não consegue perceber nos relacionamentos de Jesus nada maior do que a interação entre iguais. Ele perde a oportunidade de ver a beleza do relacionamento Criador-criatura, Salvador-pecador, Senhor-servo, Mestre-discípulo e, especialmente, Pai-filho. É intrigante o fato de que o “Grupo Gay da Bahia”, presidido por Luiz Mott, autor da maioria dos argumentos refutados acima, seja o idealizador da chamada “Ação Cristã Homossexual”. Esse grupo que passa horas de pesquisa para tentar provar que Jesus é um mito, e que se fosse um personagem histórico seria homossexual, e que questiona os relatos bíblicos rejeitando sua interpretação literal pretende convencer-nos de que é ação, instituição ou movimento cristão. Como é possível tal contradição? É óbvio que o objetivo não é o de aproximar os homossexuais do Evangelho do Reino de Deus. É, antes, uma estratégia para impedir que eles cheguem ao pleno conhecimento da verdade. São como os intérpretes da lei a quem Jesus denunciou, dizendo: “Ai de vós, intérpretes da lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando” (Lc 11.52).

Apelação “Científica”

Todavia, a obstinação dos militantes não se confina apenas a deturpar a História e a lei de Deus, mas também a ciência – do ponto de vista experimental. É por isso que o Dr. Vern L. Bullough, defensor do movimento homossexual e da pedofilia, afirma: “A política e a ciência andam de mãos dadas. No final é o ativismo gay que determina o que os pesquisadores dizem sobre os gays.”1 Porém, ainda que conseguissem provar algum dia que o homossexualismo é causado por algum fator na natureza, isso não quer dizer que somos obrigados a aceitá-lo. Sinclair Rogers, que foi homossexual por muitos anos até entregar sua vida a Jesus Cristo, diz: “Certamente, as pessoas não escolhem desenvolver sentimentos homossexuais. Mas isso não significa que quando alguém nasce, já está pré-programado para ser homossexual para sempre. Não somos robôs biológicos. E não podemos ignorar as influências ambientais e nossa reação a essas influências (...) A natureza produz muitas condições por influência biológica, tais como depressão, desordens obsessivas, diabetes... Mas não consideramos esses problemas ‘normais’ só porque ocorrem ‘naturalmente’ (...) A Biologia pode influenciar, mas não justifica automaticamente a possível conseqüência de todo comportamento. E também não elimina nossa responsabilidade pessoal, vontade, consciência ou nossa capacidade de escolher controlarmos ou ser controlados por nossas fraquezas.”2 Pesquisas tentando mostrar causas-efeitos biológicos ou genéticos para a homossexualidade existem há quase um século. Mas o fato é que, ao longo dos anos, nenhuma pesquisa jamais provou uma base orgânica para a homossexualidade. O ativista homossexual Dennis Altman faz uma observação acerca de um estudo do Instituto Kinsey: “Eles estão impressionados com os consideráveis esforços de biólogos, endocrinologistas, e fisiologistas em provar esse fundamento; estou mais impressionado com a incapacidade de tantos anos de pesquisa resultarem em nada além de meras ‘sugestões’.”3 Os ativistas homossexuais declaram que a homossexualidade é natural. Os grupos gays e todas as pesquisas modernas que defendem a conduta homossexual se baseiam direta ou indiretamente no Relatório Kinsey de 1948, o qual afirma que 10% da população são exclusivamente homossexuais. No entanto, dois excelentes livros escritos pela Dra. Judith Reisman revelam não só a metodologia fraudulenta de Kinsey, mas também o envolvimento dele com estupradores de crianças.4 Wardell Pomeroy, co-autor do Relatório Kinsey, conta a reação de Kinsey à preocupação (que Kinsey chamava de histeria) da sociedade com o grave problema de adultos que têm relações sexuais com crianças da família: “Kinsey zombava da idéia... [Kinsey] afirmou, com relação ao abuso sexual de crianças, que a criança sofre mais danos com a histeria dos adultos [do que com o próprio estupro]”.5 Os grupos de ativistas homossexuais no mundo inteiro estão trabalhando para abaixar ou abolir as leis de idade de consentimento sexual a fim de “liberar” as crianças das restrições sociais. Isso, na verdade, passa a inocentar o criminoso. Infelizmente essa conspiração resultou, em 1992 na Holanda, na legalização do relacionamento hetero (entre sexos diferentes) e homossexual de adultos com crianças a partir dos 12 anos. Nos EUA, a maior responsável por esta luta é a Associação Norte-Americana de Amor entre Homens e Meninos (NAMBLA).6

Homossexualismo e Candomblé

Apesar de nem todo homossexual ser endemoninhado como diriam ingenuamente alguns, é óbvio que Satanás está por trás deste comportamento, como de qualquer outro comportamento pecaminoso e autodestrutivo. Foi Jesus mesmo quem disse que o diabo veio para matar, roubar e destruir. Edison Carneiro (irmão do político Nelson Carneiro), afirma, no seu livro Candomblés da Bahia (p. 140) que o candomblé arrasta muitos homens ao homossexualismo, confirmando assim o que já havia sido observado por outro estudioso desse assunto, o sociólogo Roger Bastid. Segundo Edison Carneiro, é difícil esses efeminados não serem “cavalos de Yansã, orixá que geralmente se manifesta em mulheres inquietas, de grande vida sexual, que se entregam a todos os homens que encontram...”.7 Os casos de crianças desaparecidas que são estupradas e sacriicadas em rituais de pais-de-santo parecem ser um problema envolvendo os cultos afro-brasileiros. Assim, além de levarem os indivíduos ao homossexualismo, os demônios também os levam a abusar sexualmente das crianças e até a matá-las. Talvez o pior assassino em série do mundo seja o homossexual Gilles de Rais, que matou brutalmente 800 meninos. Cada garoto era atraído à sua casa, onde recebia banho e comida. Então, quando o pobre menino pensava que era seu dia de sorte, Gilles o estuprava e queimava, ou o cortava e comia.8 Em seu livro The Devil’s web (A teia do Diabo), Pat Pulling revela o envolvimento do satanismo com o estupro e o sacrifício ritual de crianças. Ele cita o caso de Gilles: “Gilles de Rais era um nobre europeu do século 15 que estava totalmente envolvido na alquimia e outras ciências ocultas. Ele era também um pervertido sexual e sadista que matava crianças antes de ser preso, julgado e condenado à morte. Outras evidências mostram que, no passado, os praticantes de adoração de demônios realmente sacrificavam criancinhas durante suas cerimônias rituais.”9

Causas Psicológicas da Homossexualidade

Uma vez que as causas não são genéticas, passam a figurar no campo da Psicologia. O Dr. Gerard van den Aardweg, psicólogo holandês, estabelece as seguintes causas do desejo homossexual nas pessoas: experiência homossexual na infância, anormalidade familiar, experiência sexual fora do normal incluindo sexo grupal ou com animais, e as influências culturais. Corroborando as afirmações do Dr. Gerard van den Aardweg que homossexualidade não é genética, a psicanalista e escritora Sheiva Sherman declarou, em 27 de março de 1998, no programa de TV Madalena Manchete Verdade que “uma coisa tem de ficar claro: homossexualismo não é genético. Está provado”. É bom frisar que as causas da homossexualidade não são genéticas, porque a maior vitória do movimento gay na década passada foi mudar a direção do debate. Em vez de se discutir sobre a conduta, fala-se sobre identidade. Qualquer um que se oponha ao homossexualismo passou a ser visto como agressor dos direitos civis dos cidadãos homossexuais. Isso é o que constatam o teólogo John Ankerberg e o sociólogo John Weldon, autores do livro Os fatos sobre a homossexualidade (Editora Chamada da Meia-Noite): “Nossa cultura está se tornando tão tolerante que muitos dão ouvidos a qualquer grupo de autodenominadas ‘vítimas’.”10 Denunciar a tolerância demasiadamente aética de nossa sociedade para com as minorias, não significa promover ou praticar a violência contra elas. É muito importante esclarecer que somos absolutamente avessos a toda demonstração de violência contra qualquer pessoa, inclusive os homossexuais. Deve provocar a indignação de qualquer cidadão o que aconteceu recentemente ao adestrador de cachorros Edson Neris da Silva, homossexual, de 35 anos, que foi cercado por um grupo de “Carecas” e assassinado a socos e pontapés na praça da República, na região ABC paulista. Essa é, sem dúvida, uma atitude doentia, homofóbica (aversão a homossexuais), sem qualquer justificativa. Precisamos ser equilibrados, repudiando o discurso e a prática gays, mas acolhendo e conduzindo os homossexuais a Cristo. Mesmo aqueles que são mais recalcitrantes devem ser objeto da compaixão e amor cristãos. Uma coisa que precisa ficar muito clara é que toda a argumentação aqui apresentada visa a combater os falsos ensinos que a militância gay vem divulgando. Todavia, a maioria dos homossexuais não faz a mínima idéia de grande parte dos argumentos dos grupos gays nem quer se envolver em sua luta; deseja apenas viver em paz. A maioria dos homossexuais, homens ou mulheres, deseja, na verdade, abandonar esse comportamento, mas não sabem como. Por isso, precisam ser acolhidos, respeitados como pessoas e conduzidos ao conhecimento de Cristo.

A Igreja e os Homossexuais

Joe Dallas, em seu livro A operação do erro, publicado pela Editora Cultura Cristã, leva-nos a uma interessante reflexão sobre o papel da Igreja para com os que desejam deixar o homossexualismo: “Entretanto, quando eles são trazidos para fora da ilusão, quem está esperando por eles? A Igreja está sendo como o pai do ilho pródigo, correndo para encontrá-lo no meio do caminho e celebrar o seu retorno? Ou será que o Corpo de Cristo está sendo melhor representado pelo irmão mais velho, justo em si mesmo, distante e frio, que não quer se envolver? Ao abordar o problema do homossexualismo, talvez essas sejam as perguntas mais importantes a serem feitas.” Infelizmente, porque uma grande parte da Igreja não está cumprindo seu papel neste sentido, precisamos ouvir coisas como as que Troy Perry, líder da maior igreja gay cristã do mundo, disse e que Joe Dallas registra: “Se a Igreja tivesse realmente feito seu trabalho missionário, não creio que a MCC (Metropolitan Community Church) jamais tivesse vindo a existir.”11 Graças a Deus, a Igreja começa a despertar! A Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, por meio do Ministério Paz com Deus, começou a agir de maneira planejada para conscientizar pastores e membros da igreja, e ajudar os que se encontram em dificuldades com sentimentos ou práticas homossexuais. Ela promoveu o I Encontro Paz com Deus, realizado de 4 a 7 de março, em Londrina, Paraná. O evento contou com 130 pessoas (participantes e obreiros) e incluiu muitos pastores. Dentre as muitas bênçãos recebidas e testemunhadas pelos participantes, destacam-se as confissões que muitos pastores, outrora intolerantes no que diz respeito aos homossexuais, fizeram aos líderes de ministérios que atuam entre eles. Depois de uma das mensagens do preletor oficial Bob Reagan, ligado à Exodus e ao Regeneration Ministry, nos EUA, os pastores e líderes evangélicos foram convidados ao altar para uma oração de arrependimento e confissão de pecados como os de omissão ou rejeição de homossexuais durante seus ministérios. Quase todos foram à frente. Mas os pastores não foram os únicos a pedir perdão. Os participantes que haviam vivido o homossexualismo ou ainda estavam envolvidos neste comportamento também pediram perdão por terem guardado mágoas contra pastores ou igrejas. Muitas lágrimas foram derramadas por ambos.


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Referências Bibliográficas

1. dra. Judith Reisman, Kinsey, sex & fraud ( Hungtington House Publishers: Lafayette-EUA, 1990) p. 212.
2. Questions I´m asked most about homosexuality, An Interview with sinclair Rogers (Choices: singapura, 1993), p. 4.
3. John Ankerberg e John Weldon, Os fatos sobre a homossexualidade (Editora Chamada da Meia-noite, 1997) pp. 22-23.
4. dra. Judith Reisman, Kinsey, sex & fraud, (Hungtington House Publishers: Lafayette-EUA, 1990) e Kinsey: crimes & consequences (the Institute for Media Education, Arlington-1998).
5. dra. Judith Reisman, Kinsey: crimes & consequences (the Institute for Media Education, Arlington-1998) p. 234.
6. Julio severo (O movimento homossexual, Editora Betânia, Venda nova – Mg, 1998) p. 20.
7. Jefferson Magno Costa, Porque Deus condena o espiritismo (CPAd, Rio de Janeiro, 1987), p. 81.
8. dr. Paul Cameron, The gay 90s (Adroit Press: Franklin – EUA, 1993), p. 46.
9. Pat Pulling, The Devil’s web (Huntington House, Inc.: Lafayeitte – EUA, 1989), p. 148.
10. John Ankerberg e John Weldon, Os fatos sobre a homossexualidade (Editora Chamada da Meia-noite, Porto Alegre, Rs, 1997), p. 8.
11. Joe dallas, A operação do erro (Editora Cultura Cristã, são Paulo, 1998) p. 237. a João Luiz Santolin,presbiteriano, presidente-fundador do Moses, bacharel em teologia e pós-graduando em terapia da Família. b Sergio Viula, ministro batista, editor do jornal Desaio das Seitas, co-fundador do Moses e Mestrando em Ministério globais. c Júlio Severo, obreiro da Comunidade Evangélica sara nossa terra e autor do livro O movimento homossexual – Editora Betânia.


Fonte: Edição Especial Defesa da Fé – ICP, CD-Rom, 26/07/10.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lançamento do livro "Os Três Choros de José" - Agradecimentos

Estivemos num “jejum” de artigos nestas últimas semanas, mas foi por uma causa importante. Estive numa grande correria me preparando para o lançamento do livro “Os Três Choros de José”, que por sinal foi uma bênção!!! A Glória de Deus se manifestou no templo da Igreja do Nazareno!!!

Tive o prazer de contar com a presença de grandes amigos e sobretudo, irmãos em Cristo. Alguns se locomoveram de suas cidades e tenho certeza de que voltaram abençoados. Quero deixar aqui meus sinceros agradecimentos a todos quantos puderam estar lá conosco no lançamento oficial do livro e também aos que estiveram intercedendo por mim e minha família para que esse projeto pudesse ser concretizado. Não vou arriscar citar nomes aqui para não correr o risco de esquecer de ninguém. Mas mais uma vez obrigado aos que nos incentivaram, aos que participaram direta e indiretamente do livro e a todos que puderam estar conosco em Dores de Campos!!!

O único Nome que é preciso ser citado é o que está acima de todo nome, o do nosso Redentor, porque “dEle, e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente” (Rm 11.36). Obrigado Jesus, por mais essa vitória!!!! A Glória é Tua!!!! Que muitas vidas possam ser abençoadas!!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lançamento do livro “Os 3 Choros de José”

Olá, leitores do blog. Estou muito feliz pelas bênçãos concedidas pelo Altíssimo, sinto-me como o salmista: “grandes coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres” (Sl 126.3). Fico ainda perguntando em meu coração: “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” (Sl 116.12). Esse é um sonho tornando-se realidade, é um projeto que se concretiza e que espero poder ajudar muita gente.

O lançamento oficial do livro será realizado na Igreja do Nazareno na cidade de Dores de Campos no dia 22 de Outubro às 19:00 h, igreja dirigida pelo meu grande amigo, o pastor Eduardo. Fica aqui o convite para todos meus amigos e espero contar com a presença dos irmãos. Quem quiser antecipar a compra, pode realizá-la pelo site da editora Naós. Segue o link:



Fiquem na Paz!!


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O G-12 e a Teologia da Pro$peridade

Ap 2.2b – “...puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos

O movimento da teologia da pro$peridade é baseado no tripé saúde e finanças perfeitas, confissão positiva e triunfalismo. Este já abordamos há duas semanas, num artigo intitulado “A simonia e o triunfalismo”; a confissão positiva é o ensino de que tudo o que falamos é profético e possui poder para abençoar ou amaldiçoar. Partindo desse pressuposto, fazem diferenciação dos vocábulos gregos rhema e logos, o que não possui fundamento bíblico, uma vez que ambas as palavras são sinônimas. O evangelho da saúde perfeita também não passa pelo crivo bíblico e é embasado em um versículo mal compreendido. Comumente Is 53.4,5 é usado para defender essa tese. Vejamos o que está escrito na passagem citada: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.

A passagem é normalmente interpretada como uma conquista de Jesus para todo cristão. Dizem os “teólogos da pro$peridade” que Ele já nos curou, por isso, não podemos em hipótese alguma aceitar enfermidade em nossa vida. Se Cristo já nos deu a cura, não precisamos mendigar o que já é nosso por direito, devemos exigir, determinar e assim tomar posse da cura que já é nossa. Essa crença já trouxe muitos problemas no passado, pois alguns líderes chegaram a pregar contra consultas médicas e uso de remédios. O Dr. Paulo Romeiro relata em seu livro “Supercrentes” alguns ensinos problemáticos. Dentre eles, um pastor pregou que Deus promete dar partos normais às mulheres baseado em Êxodo 23.26 e Deuteronômio 28.4-22.  Esse mesmo pastor declarou que toda enfermidade procede do diabo. Romeiro conta, ainda, algumas tragédias:

“...esta doutrina tem causado muitos danos. Trata-se também de um ensino que tem levado até pessoas à morte, como veremos a seguir. Há nos Estados Unidos um livro intitulado We Let Our Son Die (Deixamos Nosso Filho Morrer, publicado pela Harvest House, 1980), que relata o drama de Wesley Parker, diabético, dependendo assim da insulina para sobreviver. Depois de receber oração para ser curado, seus pais não permitiram mais que tomasse a insulina, o que provocou a sua morte em 23 de agosto de 1973. Com isso, seus pais tiveram que responder à justiça norte-americana (...) O ministério das igrejas Maná, liderado pelo pastor Jorge Tadeu, não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. O jornal Tal & Qual, na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991, faz uma séria denúncia, na primeira página, sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta, de oito anos, ocorrido em 13 de maio de 1991. ‘Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito 'mandamento'’. O jornal conta que ‘o garoto era paralítico de nascença e sofria de problemas respiratórios e pulmonares. A mãe, Margarida Maria Pita Marta, aproveitou a ausência do marido, emigrado na Suíça, para se converter à Igreja Maná, esperançada em que o filho iria ficar melhor. Os medicamentos foram retirados à criança — que acabaria por sucumbir algum tempo depois no Hospital Distrital de Beja’”1.

Entenda por determinar o mesmo que exigir, ensino este propagado pelo precursor da teologia da pro$peridade, Kenneth E. Hagin, o qual fez uma interpretação um tanto peculiar de Jo 14.13,14, a fim de mostrar que devemos pela nossa palavra, tomar posse da bênção:

“A palavra ‘pedir’ também significa ‘exigir’. ‘E tudo quanto exigirdes em Meu nome, isso [Eu, Jesus] farei’. Um exemplo disto é registrado no terceiro capítulo de Atos, quando Pedro e João estavam à Porta Formosa. Já demonstramos que Pedro sabia que tinha algo para dar quando disse ao aleijado: ‘Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou’. Então Pedro disse: ‘Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!’ Pediu, ou exigiu, que o homem se levantasse em nome de Jesus.”2

Vale a pena comentar uma coisa: alguém já viu algum mendigo pedindo, ou melhor exigindo, uma esmola, como sugere Hagin na passagem de At 3? O Missionário R.R. Soares conta em um de seus livros como foi influenciado por Hagin e repassa os ensinos importados da seguinte forma:

“Mas, quando aprendi o método correto de viver da fé, toda a minha vida e o meu ministé­rio mudaram da água para o vinho. Resumindo tudo o que aprendi, eu descobri: Não precisamos mais pedir.Só determinar, exigir, ou seja: Tomar Posse da Bênção (…) Agora, assuma a sua autoridade em Cristo e, em Nome de Jesus, exija a sua bênção”.3

Estar enfermo tornou-se sinônimo de pecado ou falta de fé. Precisamos tomar cuidado com ensinos desse tipo. Temos exemplos bíblicos de pessoas que estiveram enfermos e nem por isso estavam vivendo em pecado ou em falta de fé. O que dizer de Jó? O que dizer do rei Ezequias? A orientação para a cura de sua úlcera era um tratamento médico, por uma pomada, isto é, uma pasta de figo (2 Rs 20.7). O que dizer de Timóteo, que tinha algum problema estomacal? Enfim, precisamos estar mais atentos ao que a Bíblia diz e embasar nossa fé na sã doutrina. A pesquisadora de religiões, Mary Schultz, mostra a incoerência de tais ensinos através da própria morte dos homens mais famosos da teologia da prosperidade4:

1.    W. Kennyon faleceu vitima de um tumor maligno.
2.    John Wimber e seu filho Chris morreram de câncer.
3.    A . A. Allen morreu de alcoolismo.
4.    John Lake morreu de um colapso.
5.    Gordon Lindsey morreu do coração.
6.    O cunhado de Kenneth Hagin morreu de câncer.
7.    O mesmo aconteceu à sua irmã
8.    Sua esposa foi operada e o próprio Haigin usou óculos até morrer.
9.    Kathryn Khulmann morreu do coração.
10.          Daisy Osborne morreu de câncer, jurando que havia sido curada.
11.          Jamie Buckingham morreu de câncer.
12.          Fred Price conseguiu uma quimioterapia para a sua esposa.
13.          John Osteen procurou ajuda médica para curar o câncer da esposa.
14.          A esposa de Charles Capps fez tratamento médico de câncer.
15.          Mack Timberlake está se tratando de um câncer na garganta.
16.          R. W. Shambach fez quatro pontes safenas.
17.          O Profeta Keith Greyton morreu de AIDS.
Semelhantemente à interpretação de Isaías 53.4.,5, os teólogos da pro$peridade usam do mesmo raciocínio para interpretar 2 Co 8.9: “pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza fôsseis enriquecidos”. Partindo desse pressuposto, a pro$peridade financeira seria então um direito a todo cristão, algo já conquistado na obra expiatória e que podemos não apenas pedir, mas exigir, determinar. O Dr. Ron Rhodes, juntamente com o Dr. Norman Geisler, explica esse versículo (2 Co 8.9) na grande obra “Resposta às Seitas”:

“Se Paulo pretendesse dizer que a prosperidade está incluída na expiação, estaria oferecendo aos coríntios algo que ele mesmo não possuía naquela ocasião. Na verdade, em 1 Coríntios 4.11, Paulo informou a esses mesmos indivíduos que ele sofria ‘fome e sede’, ‘nudez’ e que ‘não possuía morada certa’. Ele também exortou os coríntios a que fossem imitadores de sua vida e ensino (1 Co 4.16). Em 2 Coríntios 8.9, parece claro que Paulo estava se referindo à prosperidade espiritual, e não à financeira. Isso está em conformidade tanto com o contexto imediato de 2 Coríntios, como também com o contexto mais amplo dos outros escritos de Paulo. Se a prosperidade financeira estivesse incluída na expiação, por exemplo, deveríamos imaginar porque Paulo informou aos cristãos filipenses que ele havia aprendido a estar contente mesmo tendo fome (Fp 4.11,12). Alguém poderia pensar que ele pudesse , ao invés disso, reivindicar a prosperidade prometida na expiação para satisfazer todas as suas necessidades”.5

Já no movimento G-12, a tal teologia encontra forte apoio na pessoa e no carisma de Renê Terra Nova. Em uma de suas mensagens apregoada na Assembléia de Deus em Newark, ele consegue fazer com que as pessoas glorifiquem a Deus após informações bíblicas não encontradas. O vídeo está no youtube e vou transcrever aqui um trecho da mensagem, cujo tema é “O leão Rugiu”:

“A Bíblia diz que quem vai a Jerusalém, traz uma nuvem de prosperidade.Você sabe o que é alguém voltar pra casa com uma nuvem de prosperidade na cabeça? Quem queria essa nuvem aí sobre a sua cabeça? Aí você pode dizer assim, ‘mas eu não fui não em Jerusalém’. Aí, a Bíblia também diz: ‘se você enviou alguém que foi por você, você tem direito à mesma chuva e à mesma prosperidade dessa pessoa’”.6

Sinceramente não sei o que é pior nessa mensagem, se o Terra Nova dizendo que a Bíblia diz algo que não diz ou se os irmãos da AD em Newark dando glória a Deus depois do “patriarca” dizer isso. Onde estaria escrita essa passagem? Será que não está na segunda carta do Apóstolo Renê aos manauaras? Em outra mensagem, o “apóstolo” prega sobre uma tal de Unção de Riqueza e Prosperidade e defende que os judeus possuem tal unção. Como exemplo de pessoas que tinham essa bênção celestial, ele cita os filósofos Aristoteles, Platão e Socrátes, o matemático René Descartes e o inventor Thomas Edison. Segundo Renê todos esses homens eram judeus7. É estranho como as pessoas entram em êxtase de glórias a Deus com informações como essas, pois nenhum desses homens eram judeus. Os filósofos eram gregos, Descartes é francês e Edison, Norte-Americano. Nesta mesma mensagem, Renê fala a mesma coisa sobre ir a Jerusalém para prosperar, mas no final da pregação ele conclama os ouvintes a se prepararem para a maior caravana que já fez a Israel, saindo do Acre e de Rondônia. Acredito que com uma motivada dessa fica mais fácil encher a viagem, afinal, quem vai a Jerusalém traz uma nuvem de prosperidade. Não estaria aí, a solução para fome e a miséria do planeta? Vamos enviar as pessoas à Terra Santa!! Os bens materiais não são proibidos aos cristãos, muitos homens de Deus na Bíblia Sagrada foram donos de grandes posses. Quando Jesus aborda o jovem rico e diz aos discípulos que é difícil um rico entrar no Reino de Deus, é porque a confiança dessas pessoas muitas das vezes, acaba se dirigindo às riquezas e não a Deus. Precisamos estar atentos aos ensinos paulinos, os quais seguem abaixo para nossa meditação e com os quais encerro o presente artigo:

1 Tm 6.3-12 – “Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro; e, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento. Porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Peleja a boa peleja da fé, apodera-te da vida eterna, para a qual foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas”.





Notas
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1 ROMEIRO, Paulo. Supercrentes. Mundo Cristão. São Paulo, 1996, p. 34,35

2 Kenneth E. Hagin, O Nome de Jesus. Graça Editorial. Rio de Janeiro, 1988, p. 70

3 SOARES, R.R. Como Tomar Posse da Bênção. Graça Editorial. Rio de Janeiro. 2004, p. 11,12

4 SCHULTZE, Mary. O final Infeliz dos Líderes da Prosperidade. Disponível em: http://www.maryschultze.com/articles.php?article_id=133. Acesso em 20 de Setembro de 2011.

5 RHODES, Ron; GEISLER, Norman. Resposta às Seitas. CPAD. Rio de Janeiro. 1997, p. 399.

6 NOVA, Renê Terra. O Leão Rugiu. Pregação na Assembléia de Deus em Newark. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=LQ1hFJCpqpY. Acesso em 21 de Setembro de 2011.

7 NOVA, Renê terra. Mensagem postada no youtube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=4rXf8lzbsv8&feature=related. Acesso em 21 de Setembro de 2011.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ler ou não ler? Eis a questão

Mt 22.29a – “Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus

Na semana passada, postei um artigo relacionado ao movimento herético conhecido no Brasil como Teologia da Pro$peridade. A Igreja brasileira entrou nesta “onda” e nem mesmo as denominações históricas escaparam dela. O modismo está na boca de cantores pentecostais e tradicionais e até mesmo pregadores que outrora combateram veementemente tais ensinos, acabaram aderindo às supostas revelações das $ementes. Estamos em uma época em que muitos lideram por seu carisma e não pelas Escrituras Sagradas. Na era da informação, sinceramente não sei se podemos chamar as pessoas que caem no golpe desses mercadores de ovelhas indefesas. Temos a Bíblia ao alcance de todos, materiais teológicos é o que não falta e sobretudo, temos o Espírito Santo em nossas vidas, o Outro Consolador, aquele que nos guia na Verdade, que aliás, é o próprio Espírito da Verdade. Além disso, a promessa da efusão do Espírito registrada em Joel 2.28 já foi cumprida no dia de Pentecostes e hoje podemos gozar da Presença de Deus em nossas vidas.

Mas se temos o Espírito Santo, como fica toda essa confusão uma vez que o Deus a quem servimos não é Deus de confusão? Bem, para entendermos um pouco melhor a resposta para essa pergunta, analisemos o que Jesus disse aos saduceus: “Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus”. Acredita-se que o nome “saduceus” seja derivado de Zadoque, que foi algum vulto do partido, ou aquele Zadoque, sacerdote no tempo de Davi (1 Rs 1.8) e de Salomão (1 Cr 29.22). Encontramos os descendentes de Zadoque no sacerdócio depois do exílio, conseguindo organizar um partido que, nos seus fins, era tão político quanto eclesiástico ou religioso. Durante mais de um século antes do nascimento de Jesus eles constituíam um importante partido nacional. Eles negavam a ressurreição e a existência de anjos e espíritos. Quanto à ressurreição, o historiador Flávio Josefo, depois de explicar a crença dos fariseus no destino e no livre arbítrio, no “poder imortal” da alma, num futuro estado de recompensas e castigos, acrescenta: “mas a doutrina dos saduceus é a de que as almas morrem com os corpos”’ (Antiq. XViii. cap. i. e 4). A negação da existência de anjos e espíritos, ia de encontro aos ensinos veterotestamentários - e por isso se pode explicar a impopularidade dos saduceus. Josefo fez ver que, quando eles se tornaram magistrados, tiveram de “aceitar as noções dos fariseus, porque de outra sorte o povo os não toleraria” (Antiq. XViii. i. e 4). Como partido, nunca foram os saduceus um corpo numeroso, terminando a sua existência depois da destruição de Jerusalém.

Uma vez que não acreditavam na ressurreição dos mortos e negavam a existência de anjos e demônios, tentaram colocar o Mestre em cheque, questionando acerca da Lei do Levirato em contraste com a ressurreição. A resposta de Jesus foi simples. Eles estavam equivocados em sua interpretação e erravam não por falta de conhecimento, mas pela falta de compreensão do Texto Sagrado, o que impulsionava-lhes a difundir erroneamente atributos divinos, pois não compreendiam o poder de Deus. Semelhantemente, muitas pessoas hoje, acabam desconsiderando a suficiência de Cristo para nossa remissão e salvação. Quando não, crêem de forma confusa que, a Soberania divina é parcial. Assim, homens e mulheres que mais prestam cultos às personalidades carismáticas do que a Deus, confiam em promessas humanas e barganhas espirituais ao invés de depositar sua fé no Deus Todo-Poderoso. É pela falta de compreensão da Bíblia, que ovelhas mal instruídas depositam sua fé em uma oferta mais gorda ou em algum objeto místico ou ainda, em seus líderes super-poderosos, sob o pretexto de que não se pode julgar. De fato, Jesus disse, “não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós” (Mt 7.1,2). Entretanto, Ele não disse apenas isso. No mesmo sermão (no qual Ele condena o julgamento hipóctita), o Senhor Jesus alerta a estarmos precavidos contra os falsos profetas. Além de alertar, Ele ensina como: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16-20).

O Apóstolo Pedro diz em sua primeira epístola: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?” (1 Pe 4.17). No mesmo sermão de Jesus, em Mt 7, Ele mostra que não são pelos dons que o profeta é conhecido e sim pelos frutos, até porque no dia do juízo muitos dirão: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?” (Mt 7.22). Tão somente pelos frutos, isto é, pelos ensinos, pela coerência ou incoerência com a Bíblia, já temos base o suficiente para discernir se estamos caminhando com profetas de Deus ou com falsos profetas. É pela análise criteriosa à luz da Bíblia que posso hoje, dizer aqui com todas as letras que a “Teologia da Pro$peridade” está em desacordo com os ensinos de Jesus. Não precisamos ir muito longe. Pessoas que ainda não se converteram a Cristo já notaram que alguns dos tais profetas da pro$peridade são estelionatários da fé, homens que se aproveitam dos problemas alheios e sugerem por intermédio de técnicas psicológicas uma solução com aparência de piedade. Ora, se é pelos frutos que conhecemos a árvore, por que essas igrejolas vivem a crescer? É pelo poder de Deus? Obviamente que não. É pela má compreensão das Sagradas Escrituras, pela manipulação em massa e pela incompreensão do verdadeiro poder de El-Shaddai.

Na semana passada, a correspondente do site “The Christian Post”, Jussara Teixeira1, publicou a notícia de que O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, fez uma declaração no mínimo polêmica sobre grupos de música gospel. “Quando vejo um crente fazendo sucesso por aí, é tudo emoção, não tem nada de Deus. Não vou errar se falar: 99% desse pessoal que canta por aí, é tudo endemoninhado, tudo perturbado.”, disse o bispo em programa da IURD TV. Jussara diz, ainda, que de acordo com a coluna de Ricardo Feltrin, do site F5, o bispo e outro líderes da Igreja Universal que participaram do programa criticaram especificamente a cantora evangélica Ana Paula Valadão, do grupo Diante do Trono, uma das bandas mais conhecidas e tocadas no meio evangélico brasileiro. O bispo Márcio, da Universal, durante o mesmo programa ao lado de Macedo, provocou, dizendo: “Outro dia um pastor botou a mão na cabeça dela e ela caiu no chão”.

Palavras um tanto incoerentes do bispo (bispo?) uma vez que Macedo e a Universal também têm uma gravadora de música gospel, a Line Records, através da qual cantores como Régis Danese, Robinson Monteiro, Michelle Nascimento, Marcelo Nascimento e Soraya Moraes gravaram discos, para não dizer do bispo Crivella, senador, cantor da Line Records, escritor e ministro licenciado da IURD. Ao passo que muitos erram por não compreender as Escrituras, outras nem mesmo as conhecem. O Senhor disse por intermédio do profeta Oséias : “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os 4.6) e Jesus disse “Examinais as Escrituras” (Jo 5.39). Cabe a nós, cristãos, lermos a Bíblia, pedirmos orientação do Espírito Santo, confrontar os ensinos dos pregadores com a Palavra de Deus e viver em conformidade com as Sagradas Escrituras. Para que possamos conhecer, é necessário ler, abandonar a televisão, conversas fiadas, novelas e tudo o que toma o lugar de Deus. Enquanto alguns líderes estimulam suas ovelhas a estudarem a Bíblia, a conhecerem a Verdade, outros inventam desculpas esdrúxulas para manter seus fiéis em fácil manipulação. Afinal, ler ou não ler? Eis a questão.





Notas
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1 TEIXEIRA, Jussara. Edir Macedo Diz que Cantores Gospel são Endemoniados; Ana Paula Valadão Responde. Disponível em: http://portuguese.christianpost.com/noticias/20110913/edir-macedo-diz-que-cantores-gospel-sao-endemoniados-ana-paula-valadao-responde/ Acesso em: 13 de Setembro de 2011.