quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Igreja que tinha uma porta aberta

Ap 3.7-13 – “Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: Conheço as tuas obras (eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar), que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Relembrando o que já estudamos:

A Igreja que deixou o primeiro amor (Éfeso)
A Igreja Perseguida (Esmirna)
A Igreja que se misturou com o mundo (Pérgamo)
A Igreja que tolerou falsos ensinos (Tiatira)
A Igreja que estava morta (Sardes)

Introdução

·         As únicas referências bíblicas sobre Filadélfia se encontram no Apocalipse (1:11; 3:7).

·         Esta cidade gozava uma localização estratégica de acesso entre os países antigos de Frígia, Lídia e Mísia.

·         Foi fundada pelo rei de Pérgamo, Atalo, cerca de 140 a.C. Ele foi conhecido por sua lealdade ao seu irmão, assim dando origem ao nome da cidade, pois Filadélfia significa amor fraternal.

·          A região produzia uvas e o povo especialmente honrava Dionísio, o deus grego do vinho.

·         A cidade servia como base para a divulgação do helenismo (influência grega nos costumes e idéias em outras nações) às regiões de Lídia e Frígia.

·         Foi localizada num vale no caminho entre Pérgamo e Laodicéia.

·         Filadélfia foi destruída por um terremoto em 17 d.C. e reconstruída pelo imperador Tibério.


1.      A apresentação de Jesus

O que é Santo – Santidade é um dos principais atributos de Deus (Ap 4.8; Is 6.3; 40.25). A santidade é um atributo comunicável, isto é, compartilhado de Deus para o homem. Embora tenhamos capacidade de escolha e de viver separados do pecado, somos limitados e incapazes de sermos santos no mesmo grau divino. Entretanto, não podemos nos conformar com isso e viver segundo a ordenança de Deus (Rm 12.2; Lv 11.44a).

O que é verdadeiro – Embora aquela sociedade estivesse contaminada pela cultura grega politeísta (At 17.22,23), Jesus se apresenta dizendo que Ele é o verdadeiro Deus (1 Jo 5.20). Somos o tempero desta terra e precisamos manter o sabor, pois “se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). Vivemos no mundo, mas não devemos ser como ele. O discípulo amado disse que aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele (1 Jo 2.15). A Igreja pós-moderna possui o enorme desafio de não se deixar contaminar pelo “helenismo” contemporâneo. Embora a Grécia não possua mais tamanha influência global, sabemos que seus preceitos antigos continuam vivos e que é repassada através da mídia secular. Novelas ensinam o adultério explícito e as pessoas batem palma, o Big Brother estimula a traição e a prostituição de forma deslavada e muitos cristãos participam desses valores podres assistindo essas programações, jornais semeiam suas opiniões evasivas e persuade as pessoas. Fábulas e mais fábulas e a humanidade vive desligada, como que em um mundo paralelo semelhante ao Matrix. Quando é que o povo de Deus vai acordar? O mundo está esfriando a Igreja brasileira através dos modismos e precisamos batalhar “pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” (Jd 3b). O Evangelho não precisa ser adaptado, que papo é esse? O homem é que deve se adaptar ao Evangelho, nós é que somos chamados para um conserto, para carregar nossa cruz, para renunciar este mundo. Mas ao invés disso, líderes descompromissados com a verdade, avarentos e preocupados com dinheiro, não negociam uma “visão”, mas negociam a sã doutrina. Crentes “emos”, com as franjas caídas na testa, homens com as unhas pintadas, imitadores não da conduta do Apóstolo Paulo (1 Co 11.1), mas de bandas do tipo “restart”. Igreja, deixe o que é falso de lado e enxergue o que é verdadeiro, o que é a verdade, o verdadeiro Deus.

O que tem a chave de Davi – Demonstração de Sua autoridade e soberania. A falsa doutrina da Teologia da Pro$peridade ensina que o homem não pode aceitar nenhuma enfermidade, antes, deve determinar (exigir) a bênção de Deus. Aí, amado irmão(ã) , amigo(a), não sei se o servo nessa história é o homem ou se é Deus, mas sei de uma coisa, Paulo orou por três vezes ao Senhor para que lhe fosse tirado certo espinho na carne, mas a vontade Soberana do Altíssimo ressoou ao Apóstolo com a seguinte resposta: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.7-9). Ele é quem possui a chave de Davi e quando Ele abre a Porta ninguém pode fechar, nem o inferno! Quando Ele fecha, ninguém pode abrir. Ele é o Soberano!!! Se você tem uma porta fechada, não cesse de pedir, pois o que pede recebe, não cesse de buscar, pois o que busca encontra, não cesse de bater, pois ao que bate, a porta é aberta (Lc 11.10). É aberta por Jesus, pois é Ele o detentor da chave, continue batendo, continue clamando, coontinue exaltando o Soberano!!!!

2.      Características Positivas de Filadélfia

Tens pouca força – Pode ser que fossem poucos em número ou limitados em capacidade. Fosse o que fosse, o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza (2 Co 12.9,10). O clichê “Deus não chama pessoas capacitadas, mas capacita os chamados” reflete uma realidade: não precisamos ter medo de atender à chamada divina, pois Ele nos instrui, ensina e dota de poder e dons espirituais para realizarmos Sua Obra. Contudo, isso não quer dizer que não há necessidade do obreiro se aperfeiçoar com cursos teológicos e no constante estudo da Palavra. Deixar de estudar a Bíblia achando que Deus é obrigado a nos capacitar durante um sermão é tentá-Lo. Ter pouca força é diferente de ser negligente e preguiçoso.

Tinha uma porta aberta - Portas abertas representam acesso e oportunidades (1 Co 16.8,9; Cl 4.3). A localização geográfica de Filadélfia era estratégica, pois servia de acesso entre os países antigos de Frígia, Lídia e Mísia. A rota real para Jerusalém contava com Filadélfia, por isso, essa congregação representa uma Igreja que evangeliza e que prega a Boa Notícia do Reino. Deus quer abrir portas para a propagação do Evangelho através da sua vida, Ele quer te usar para anunciar Sua Palavra no local onde você mora, trabalha, estuda, etc. Seja um canal de Deus.

Guardaste a minha Palavra – Vale comentar o grande problema que enfrentamos: o Empirismo. A busca incansável por experiências inertiza alguns crentes a avaliar se tal evento é místico, extra ou anti-bíblico. Uma característica positiva daquela congregação é que eles guardaram a Palavra do Senhor. Quando a guardamos em nosso coração, evitamos de pecar contra Deus (Sl 119.11). Somente aqueles que amam a Cristo guardam verdadeiramente Sua Palavra (Jo 14.23). As experiências são importantes, mas não podem ultrapassar o que está escrito. Se alguém, por exemplo, disser que foi arrebatado em espírito e que teve experiências fantásticas com Jesus e que viu a face de Deus, o que você diria? Qual base bíblica aprovaria tal relato? Na verdade, tal experiência contradiria a Bíblia, pois homem nenhum pode ver a face de Deus e viver (Êx 33.20-23). Seja um crente bereano, confira na Palavra de Deus, não confie apenas porque quem disse é um pastor renomado, aquele tele-evangelista famoso. Ame a Palavra de Deus e se alimente do maná celestial.

Não negaste o meu Nome – “Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo” (v. 9). Aqueles irmãos foram perseguidos pelos fariseus e outras seitas judaicas da época, mas ainda assim não negaram o Nome que está acima de todo nome. Quando vem a luta qual é a sua postura? Quando está no trabalho ou em um lugar público, qual é a sua conduta? Quando não tem ninguém vendo, qual é a sua atitude? Quando zombam de crentes, como você reage? Não podemos negar o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo em hipótese alguma.

3.      Promessas

Também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro – Pode ser uma referência à perseguição que começou no reinado de Domiciano e que causou terrível sofrimento e a morte de centenas de milhares de pessoas. Independente da natureza específica desta provação, Jesus prometeu proteção (mas não isenção de sofrimento) aos fiéis em Filadélfia. Os intérpretes futuristas, atribuem essa passagem à guarda da Igreja no tempo da grande tribulação, mostrando que seremos arrebatados antes de vir o governo do anticristo.

Eu o farei coluna no templo do meu Deus – As colunas de Filadélfia racharam e caíram no terremoto algumas décadas antes, mas as colunas no verdadeiro templo de Deus jamais seriam destruídas. Estas não são de pedra, são colunas vivas e firmes. Jesus não fala somente de líderes nas igrejas (Gl 26.9), mas de todos os vencedores fiéis. Os discípulos do Senhor são, ao mesmo tempo, pedras vivas e sacerdotes (1 Pe 2.5-9). Se aquelas colunas racharam e ruíram, Ele quer usar você para ser uma coluna na grande seara.

Escreverei sobre ele o nome do meu Deus – Nomes gravados sugerem posse. O vencedor pertence a Deus. Ele faz parte do “povo de propriedade exclusiva de Deus” (1 Pe 2.9). Ele também pertence à cidade de Deus, a nova Jerusalém. Jesus confessará abertamente os nomes dos seus servos (Mt 10.32).


4.      Conselhos

Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa – Enfrentariam tentações e correriam o risco de perder tudo que haviam alcançado. Precisamos vigiar e permanecer fiéis até o fim (1 Co 10.12). O fato de não receberem nenhuma crítica não isenta-os de vigiar: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1 Co 10.12).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Igreja que estava morta

Ap 3.1-6“Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto. Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidas de branco, porquanto são dignas. O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas.”


Introdução

A cidade antiga de Sardes, atualmente localizada próximo da atual vila de Sarte na Turquia, considerava-se impenetrável e hoje possui apenas ruínas. Era situada numa rota comercial importante no vale do Hermo, com a parte superior da cidade (a acrópole) quase 500 metros acima da planície, nos rochedos íngremes do vale. Foi uma cidade financeiramente próspera, em parte devido ao ouro encontrado no Pactolos, um ribeiro que passava pela cidade e também em função sd produção de ouro, prata, pedras preciosas, lã e tecido. A cidade fazia, ainda, parte do reino lídio (primeiro povo antigo a cunhar regularmente moedas). Em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande). Soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e, depois, subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade que aparentemente era impenetrável caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite! Em 334 a.C., a cidade se rendeu a Alexandre o Grande. Em 214 a.C., caiu outra vez a Antíoco o Grande, o líder selêucido da Síria e durante o período romano, pertencia à província da Ásia, mas nunca mais teve condições de recuperar o seu prestígio. Era uma cidade com um passado glorioso e um presente de pouca importância em termos políticos e comerciais.

1.      A apresentação de Jesus

Tem os Sete Espíritos de Deus – Como já aprendemos nos artigos anteriores, Jesus se apresenta de uma forma peculiar a cada igreja e aos irmãos em Sardes Ele se introduz como Aquele que tem os Sete Espíritos de Deus. O número Sete representa primeiramente a perfeição divina. Sete Espíritos reforçam Sua Onipresença (Ap 5.6) e Sua Onisciência (Zc 4.10). Não quer dizer que o Espírito Santo são sete pessoas, mas que Ele está em todos os continentes da terra (América do Norte, América Central, América do Sul, África, Europa, Ásia e Oceania).

Tem as Sete Estrelas – As 7 estrelas representavam os 7 anjos (pastores – Ap 1.20). Em outras palavras, as igrejas não pertenciam a nenhuma pessoa, senão ao próprio Cristo. Muitos líderes acabam se achando o dono das congregações que dirigem e estão completamente equivocados. A centralização de poder não é algo bom para o corpo de Cristo. A maioria das novas igrejas que têm sido abertas são independentes, isto é, não prestam contas a ninguém, não há assembléias ou reuniões para decidir as coisas, os membros não têm nenhum poder de decisão ou escolha e não passam de meros freqüentadores. A desculpa de alguns líderes é que a realização de assembléias é algo burocrático e que atrasa a tomada de decisões, mas a Igreja Primitiva não estava centralizada no poder de um único Apóstolo. As decisões eram votadas e compartilhadas. Para a escolha de quem ocuparia o lugar de Judas, eles primeiro definiram os pré-requisitos (uma testemunha de Jesus desde o batismo até a ressurreição), em seguida oraram e finalmente, votaram (At 1.21-26). No concílio de Jerusalém, a pessoa que acabou por tomar a frente, digamos assim, foi Tiago e ele conclui a ata da assembléia da seguinte forma: “Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas necessárias” (At 15.28 – grifos meus). Na escolha dos diáconos, o processo foi o mesmo, levantaram os pré-requisitos (homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria) e elegeram os obreiros (At 6.1-5). Não podemos correr o risco de uma única pessoa decidir as coisas, por mais bem intencionada que ela seja, pois “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” (Jr 17.9).

2.      Características Positivas de Sardes

Alguns não haviam contaminado suas vestes – Este elogio não era para a Igreja e sim para alguns que não haviam se contaminado. Isso não quer dizer que temos que nos acomodar em meio ao erro. Quando percebemos que o ministério está passando por esfriamento ou doutrinas controvertidas, precisamos nos envolver em oração e comunicação. Muitas vezes a liderança não percebe o que está acontecendo e uma ajuda de quem vê de fora pode ser importante. Um ponto que merece nossa atenção é que a pessoa que recebe essa comunicação ou alerta, deve ter humildade para ouvir, possuir receptividade e bom senso para tomar providências (Tg 5.19,20; Ez 3.18-21).

3.      Características Negativas de Sardes

Tinha nome de que estava viva, mas estava morta – Sardes não tinha problemas doutrinários e nem de perseguição, mas de hipocrisia (Mt 6.1-6,16-18; 23.5,25-28). Julgamos a aparência e a eloqüência, mas Jesus julga o coração (1 Sm 16.7). Vale ressaltar que, embora a capacidade de sondar e julgar o caráter, a motivação, os desejos, aspirações, intenções e interior do homem, seja apenas um atributo incomunicável do nosso Senhor, isso não exime o crente de examinar os ensinos de terceiros e julgar as doutrinas entre genuínas ou falaciosas e os profetas como verdadeiros ou falsos, afinal a árvore é conhecida pelo fruto e o mecanismo que possuímos para realizar tal análise é a Palavra de Deus, a qual segundo o autor da epístola dirigida aos hebreus é “viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12 – grifos meus).  Mediante a Palavra do Senhor (nosso parâmetro), podemos perceber se o profeta fala com arrogância ou não, se movido por ganância ou por amor, enfim, através da Bíblia, temos a capacidade de analisar de forma criteriosa entre o que tem coerência teológica e o que está em desacordo. Aquela congregação é criticada por ter fama e nome de avivado, mas possuir o interior morto (2 Cr 25.1,2). Enquanto não pararmos de avaliar os profetas pelos feitos, obras, milagres, sinais, dons, intelecto, oratória e habilidades humanas, estaremos fadados ao velho empirismo.

4.      Conselhos

Ser vigilante – Jesus diz que se eles não vigiassem, Ele viria a eles como um ladrão. Vimos na introdução do presente artigo que, em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande) e que soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e depois de subirem pelo mesmo caminho tomaram a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade inexpugnável caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite! A vigilância se dá em três áreas:

Vigiar para vencer a tentação – Mt 26.41; 1 Pe 5.8; Ef 6.18
Vigiar doutrinariamente – At 20.29-31
Vigiar para a salvação – Mt 24.42,43; 1 Ts 5.1-6; Ap 16.15

Confirmar os que estavam para morrer – Outro conselho de Jesus era para que o anjo daquela congregação consolidasse a fé dos que ainda não haviam morrido. Confirmar um discípulo é mostrar que ele deve seguir a Cristo e não denominações ou homens. Nossa fé é baseada na obra redentora de Jesus (At 14.21,22). Engana-se a pessoa que atribui a chamada de Deus de forma denominacional. Não quero com isso, menosprezar a importância de um cristão maduro escolher uma denominação séria, doutrinariamente equilibrada para congregar, pois não enxergo base bíblica para que um crente seja parte da Igreja Universal de Cristo (não me refiro à IURD) isolado em sua casa como um eremita. É de fundamental importância o crente congregar e participar ativamente de seu ministério (Hb 10.25). Contudo, não podemos fazer apologia denominacional como se Cristo estivesse dividido, mas consolidar a fé do discípulo no Autor e Consumador da nossa fé.

Lembrar do que tinha recebido e ouvido e guardar – Outro conselho do nosso Salvador era para que primeiramente ele se lembrasse do que havia recebido e ouvido. Precisamos guardar a Palavra de Deus em nosso coração (Sl 119.11).

Arrepender – Como nas demais cartas em que há repreensão, Jesus exorta-o ao arrependimento, isto é, uma mudança de atitude, uma conversão de rota.

5.      Promessas

Aquele que vencesse aquelas dificuldades, Jesus promete ser vestido de vestes brancas, reforçando a salvação eterna. Além disso, de maneira nenhuma teria o nome riscado do livro da vida (cf Ap 13.7,8), antes, teria o nome confessado diante do Pai e dos anjos (cf Mt 25.12; 10.32,33)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Igreja que Tolerou Falsos Ensinos

Ap 2.18-29“Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente: Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras. Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela; e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras. Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei; mas o que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai; também lhe darei a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas.”

Introdução

·        A cidade de Tiatira estava situada no caminho entre Pérgamo e Sardes.

·        Atualmente, chama-se Akhisar, na Turquia.

·        Lídia, a primeira pessoa convertida por Paulo na Europa, era de lá (Atos 16:14).

·        Tiatira era produtora de púrpura, uma tinta usada em tecidos (veja Atos 16:14), além de roupas, artigos de cerâmica, bronze, etc.

·        Havia grupos organizados de artesãos e profissionais, semelhantes às associações profissionais de hoje, mas com elementos religiosos de influência pagã.

·        Tiatira tinha templos e santuários religiosos aos falsos deuses Apolo, Sambate, Tirimânios e Artemis (uma deusa chamada Diana pelos efésios – veja Atos 19:34).

·        A importância de figuras femininas na cultura religiosa de Tiatira pode ter facilitado o trabalho de Jezabel.

·        Os que interpretam o Apocalipse de forma histórica (nós faremos do ponto preterista), dizem que Tiatira representa a igreja católica no período de 500 a 1517 d.C. (período chamado de idade das trevas).

1.      A apresentação de Jesus

O Filho de Deus – Em meio a tantos ídolos e ao gnosticismo, Jesus se apresenta como o verdadeiro Deus. Os gnósticos ensinavam que existia uma classe privilegiada para o conhecimento. De acordo com eles, somente um grupo seleto poderia ter acesso ao conhecimento secreto de Deus, ao passo que Jesus nos mostra justamente o oposto (Jo 14.26). Eles utilizavam de mecanismos que a própria Palavra de Deus já condenava para adquirir o conhecimento oculto, através de fontes numerológicas, a cabala, dentre outros. Finalmente, esse mesmo grupo foi censurado por João, pois negavam a natureza humana de Cristo e criam que Ele apenas possuía um corpo fluídico. A maneira pela qual os Cristãos primitivos identificariam esses tais, se dava mediante uma análise de seu ensino: “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo” (1 Jo 4.1-3).

Olhos como chama de fogo – Daniel e João tiveram uma visão semelhante (Dn 10.5,6; Ap 1.13-15). Demonstra o poder e a capacidade onisciente de Cristo, afinal, Ele sonda os rins e o coração (v. 23). Os Seus olhos estão sobre todos, ninguém pode escapar, nem justos e nem mesmo os ímpios (Pv 15.3). Alguns interpretam tal apresentação como sendo uma referência ao julgamento das nações durante o milênio (Ap 19).

Pés como Latão reluzente – Demonstra a santidade de Jesus. Os pés aparecem na Bíblia como um símbolo de nossa separação do mundo, representa os lugares por onde temos passado. Moisés é advertido a retirar as sandálias dos pés porque a terra onde estava era santa (Êx 3.5). É solicitado a Josué que retirasse seus sapatos porque estava diante do Príncipe do Exército do Senhor (Js 5.15). Quando João vê a figura glorificada de Cristo, Ele é descrito com pés refinados numa fornalha e que brilhavam tanto que refletiam sua glória e santidade (Ap 1.15).


2.      Características Positivas de Tiatira

Últimas Obras maiores que as primeiras – Tiatira era uma igreja ativa e provavelmente com muitas obras filantrópicas, trabalhava bastante e que aparentemente tinha crescido em amor, fé, serviço e perseverança (1 Co 15.58). Suas últimas obras eram mais numerosas que as primeiras e esse era um ponto que mereceu destaque. Vivemos períodos de apatia dos cristãos. As pessoas não são participativas em seus ministérios e alguns acabam ficando sobrecarregados na Obra do Senhor. Muitas igrejas estagnaram e não se preocupam em trabalhar na Seara. Muitos estão acostumados a participar dos cultos e voltarem felizes, saltitantes e jubilosos para seus lares após grandes reuniões de poder. O problema é que não se preocupam em anunciar o Evangelho e nem em fazer a vontade do Senhor na obra missionária. Precisamos crescer a cada dia e nossas obras precisam superar as primeiras para não acomodarmos nossa fé em uma zona de conforto.

3.      Características Negativas de Tiatira

Tolerância a Jezabel – A Igreja deve tomar cuidado com os falsos mestres e rejeitar seus ensinos (Rm 16.17,18; Tt 3.10,11). Embora aquela igreja tivesse amor, acabou tolerando doutrinas anti-bíblicas. Talvez tivessem deixado o amor e misericórdia passar o limite da tolerância às falsas doutrinas. Muitas pessoas têm medo de analisar o ensino de outrem achando que farão um julgamento condenado por Jesus, mas vale ressaltar que, o mesmo sermão do Mestre em Mt 7 contém duas partes sobre julgamento: a primeira repudia o julgamento hipócrita. Aquele em que a pessoa critica o próximo, mas faz a mesma coisa, quando não, pior. Já mais adiante, Ele mostra que precisamos estar espertos, acautelados, pois falsos mestres apareceriam como lobos disfarçados de ovelhas e para reconhecermos se são de fato verdadeiros profetas do Senhor, precisamos avaliar seus frutos. Cabe aqui uma simples analogia. Quando você vai à feira para comprar tomate, como sabe o que está bom e o que está ruim? Qual o critério você usa para se decidir? Quando o legume está com manchas negras e buracos na superfície, sinaliza que não deve ser aproveitado. Da mesma forma, analisamos os ensinos dos profetas, mestres, pregadores, etc, à luz das Escrituras e mediante a Palavra de Deus analisamos criteriosamente se há coerência ou não com os ensinos do Mestre dos mestres.

Auto proclamada profetisa – Jesus diz que a doutrina de Jezabel era profundeza de satanás. Como naquela época, o gnosticismo era forte, muitas pessoas buscavam conhecimentos secretos, ocultos e privilegiados. Este é um grande problema da igreja moderna. Duas situações se assemelham nos dias de hoje: 1) pessoas se auto-proclamando líderes religiosos (apóstolos, pastores, bispos, etc) e 2) o empirismo, isto é, maior estima pelas experiências em detrimento da doutrina bíblica. É como se alguém dissesse que foi arrebatado e que nessa viagem espiritual relatasse ter visto a face de Deus. Bem, à luz da Palavra do Senhor, homem algum pode ver Sua face e viver (Êx 33.20).

Ensinava e seduzia – Pelo fato de seus ensinos serem aceitos, tornaram-se doutrinas. Atualmente, muitas igrejas evangélicas se desviaram da sã doutrina e estão ensinando e seduzindo adeptos para a idolatria financeira (Cl 3.5). Todavia, devemos adorar a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que pode dar (Hc 3.17,18). Precisamos fugir da Teologia da Pro$peridade.

Foi dado tempo para que ela se arrependesse – Neemias reconhece a misericórdia de Deus (Ne 9.17). É como se Ele nos desse corda aguardando nosso arrependimento, conduzido por Sua misericórdia (Rm 2.4-8). Provavelmente Deus usou alguém que foi visitar aquela congregação ou até mesmo algum irmão(ã) de dentro para alertar a falsa profetisa, mas ela não quis dar ouvidos. Quantos líderes movidos por seu orgulho e arrogância não aceitam estar errados? Preferem conduzir o rebanho de Deus de forma errada a ouvir uma simples ovelha.

Os demais que estão em Tiatira (os que não têm esta doutrina) – Pessoas que não concordam com as heresias são poupadas no julgamento. Deus julgará os líderes por seus ensinos, mas não podemos nos acomodar e achar que não temos nenhuma responsabilidade. Precisamos examinar as Escrituras (Jo 5.39) e conferir se o que é ensinado está de acordo (At 17.11).

4.      Promessas

Autoridade sobre as nações – Esta promessa aponta para o período do milênio, onde os cristãos reinarão por mil anos com Cristo.

Receberão a estrela da manhã – Para os judeus, Jesus é o Sol da Justiça, para o mundo Ele é a Luz do mundo e para a Igreja Ele é a resplandecente Estrela da Manhã. Quando estivermos na Nova Jerusalém, não mais precisaremos da luz solar, pois o Cordeiro é a luz que vai resplandecer (Ap 21.23).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Igreja que se misturou com o mundo

TextoBase: Ap 2.12-17: Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes: Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem. Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.”

Introdução

O único livro do Novo Testamento que cita a cidade ou a igreja em Pérgamo é o Apocalipse. Com a ajuda dos romanos, Pérgamo ganhou independência dos selêucidas em 190 a.C., e passou a fazer parte do império romano a partir de 133 a.C.. Durante mais de 200 anos, foi a capital da província romana da Ásia. Teve também uma biblioteca, com 200.000 volumes, que depois foram levados para Alexandria. Foi o povo de Pérgamo que começou a usar peles de animais para fazer pergaminho, substituindo o papiro. Pérgamo era a cidade mais idólatra de toda província da Ásia. Desde 29 a.C., foi o local de um templo dedicado a Roma e Augusto (idolatria oficial do governo romano). Mais tarde, foram erigidos outros templos para a honra dos imperadores Trajano e Severo. Além desses templos para o culto imperial, o povo de Pérgamo adorava outros “deuses”, tais como Zeus, Atena, Dionisio e Asclepio.


1.      A apresentação de Jesus

Para a igreja em Éfeso, Jesus se apresentou como “aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro”. Para Esmirna como “o primeiro e o último, que foi morto e reviveu”. Já para a igreja em Pérgamo, Ele se apresenta como “aquele que tem a espada aguda de dois gumes”. O Apóstolo Paulo faz uma analogia com a armadura de um soldado romano e ensina aos efésios que era nevessário estarem vestidos com uma armadura espiritual para vencerem as ciladas do inimigo de nossas almas. No meio dessa armadura, ele cita a “espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6.17b). Sabe-se que esta espada era chamada de gládio pelos romanos, um instrumento de dois gumes com aproximadamente 55 cm, utilizado não para cortar, mas para perfurar a couraça do adversário. O autor da epístola aos hebreus vai mais além e diz que a Palavra de Deus é “viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). Podemos inferir duas coisas: 1) a Palavra de Deus corta o pecado e todo o mal da vida do homem e 2) é capaz de ir até o âmago do ser humano, separando alma e espírito, emoção de espiritualidade. Ao passo que a ciência consegue atuar exteriormente no homem, no corpo e manipular pensamentos e emoções, não possui capacidade de chegar ao espírito. Mas a Palavra de Deus toca em lugares que ninguém pode tocar. Jesus estava dizendo à igreja em Pérgamo que Ele possui essa espada e que estava prestes a penetrar no íntimo daqueles cristãos, em lugares que ninguém podia chegar.

2.      Características Positivas de Pérgamo

Subentendemos que Pérgamo era resistente ao Evangelho e que os cristãos de lá sofreram perseguições por conta de Cristo. Eles são elogiados por não temerem a perseguição e por não abrirem mão do Nome de Jesus. É citado ainda, sobre um mártir, Antipas, tido por Jesus como Sua fiel testemunha. Simeão Metafrastes, escritor que viveu na segunda metade do século X d.C., conta que Antipas, bispo de Pérgamo, nos tempos do imperador Domiciano foi fechado dentro de um boi de bronze e aquecido ao rubro. Seu corpo foi, literalmente cozido na chama abrasadora. Diz-se que ele terminou seus últimos momentos em louvor e oração (O Novo Testamento Interpretado – Champlin). Para mais detalhes sobre perseguições da Igreja, leia o artigo anterior: “A Igreja Perseguida”.

3.      Características Negativas de Pérgamo

Seguiam a doutrina de Balaão – A doutrina de Balaão significa a secularização da Igreja, a mistura espiritual com o mundo, quanto às suas práticas e procedimento, perdendo ela assim sua pureza e santidade. Balaão, que era profeta de Deus, se contaminou por causa do dinheiro e ensinou a Balaque (inimigo do povo de Israel), rei dos moabitas, a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para contaminá-los. Visando o lucro, Balaão ensinou a Balaque como edificar altares e como sacrificar sobre eles recorrendo a agouros (ecantamentos). Muitos líderes estão abrindo mão da seriedade doutrinária e permitindo que o mundanismo entre nas igrejas. Está cada vez mais normal ver pessoas amasiadas e com vícios serem batizadas. Músicas seculares estão comuns em alguns ministérios. Gírias mundanas e estrelato, shows e modificação de ministérios e ministros em artistas. Já é comum ver cantores “evangélicos” cantarem músicas seculares em programas de recrutamento de “ídolos”. Aparência física (piercings, tatuagens, alargadores de orelha, cabelos multicoloridos, roupas indecentes, etc) já não é mais preocupação com o argumento de que Deus não olha o exterior. A Igreja, que deveria influenciar o mundo, está sendo influenciada por ele.

O caminho de Balaão (IIPe.2:15) – Ele queria ganhar o prêmio oferecido pelo rei Balaque e ao mesmo tempo agradar a Deus. Impossível!!! Vemos hoje obreiros igualmente mercenários, abraçando o ministério evangélico como se este fosse uma profissão rendosa. É o profissionalismo “espiritual” ou “os profissionais da fé”. Atualmente, muitos “cristãos” têm se vendido pela fama e tornado-se pessoas gananciosas. Pregadores que quando estavam iniciando seu ministério iam em congregações pequenas com alegria, mas agora como verdadeiros show-men, vão apenas em mega eventos. Cantores que têm exigido hotéis luxuosos e toda pompa como se a luz fosse deles. Cachês abusivos para que a Palavra de Deus seja pregada. O profissionalismo espiritual que está cada vez mais acentuado em nossos dias, levando pastores a receberem salários exorbitantes. Não bastasse tudo isso, alguns tele-evangelistas brigam entre si para obter o melhor horário na televisão, cumprindo o que disse o Apóstolo Paulo: “disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro” (1 Tm 6.5). Judas diz em sua epístola que estes mesmos falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades, atirando-se ao erro de Balaão por amor do lucro (Jd 8,11). O Apóstolo dos gentios já havia aconselhado ao jovem pastor Timóteo a tomar cuidado com essas coisas, pois “o amor pelo dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Tm 6.10). O erro de muitos líderes é justamente se contaminar com o dinheiro e sensação de poder que este traz. Já dizia o cientista político Maquiavel que, se quiser conhecer uma pessoa dê poder a ela.

Seguiam a doutrina dos Nicolaítas – O que era “obra dos nicolaítas”(Ap 2.6) tornou-se agora “doutrina”. Isso nos faz ficar alertas para o fato do rápido progresso do mal sobre a Igreja. Outro ponto importante é que a doutrina dos nicolaítas era justamente a liberdade de se comer coisas sacrificadas e a fornicação. Por que estaria Jesus comparando essa doutrina com a doutrina de Balaão? O mundanismo agrada as pessoas e assim a igreja incha e atrai mais números. Se tivermos que abrir mão da qualidade para que haja qualidade, estamos desobedecendo a Palavra de Deus e desagradando o Deus da Palavra.

4.      Conselhos de Jesus

Jesus aconselha aquela igreja ao arrependimento, isto é, uma conversão do caminho torpe. Deus responde a oração de Salomão, dizendo: “e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14). Caso contrário, seriam cortados com a espada da boca de Jesus.

5.      Promessas de Jesus

Receberiam do maná escondido – É um alimento espiritual diário que ainda não havia sido encontrado pelos irmãos de Pérgamo. De adordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, o evangelicalismo nominal, isto é, crentes não praticantes aumentou consideravelmente de 4% em 2003 para 14% em 2010. O número de freqüentadores de templo é grande e para nossa tristeza, muitas dessas pessoas ainda não tiveram um verdadeiro encontro com Jesus. Freqüentam as reuniões, buscam suas bênçãos, mas ainda não se converteram a Cristo.

Receberiam uma pedra branca com um novo nome – A história antiga dos gregos e romanos menciona essa pedrinha:

1) Nos tribunais, os juízes tinham pedras brancas e pretas. Se o acusado recebia uma pedrinha preta, estava condenado; se branca, estava perdoado, liberto, livre.

2) Nos jogos públicos, os vencedores recebiam pedrinhas brancas com os seus nomes gravados nelas. Isso dava-lhes direito a auxílio do governo pelo resto da vida.

3) Também pedrinhas brancas eram fornecidas a certas pessoas para livre trânsito em certas regiões, situações e reuniões. Era o passe, a entrada livre, autorização, nesses casos especiais.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Igreja perseguida

Ap 2.8-11Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu: Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás. Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte.”

Esmirna hoje é conhecida como Izmir, a terceira maior cidade da Turquia, onde encontra-se o segundo porto mais importante do país. A antiga cidade foi destruída pelos lídios em 600 a.C. e reconstruída pelos gregos no final do século IV a.C. podendo ser descrita como uma cidade que morreu e tornou a viver. Durante o domínio romano, Esmirna se tornou um centro de idolatria oficial, conhecida como Guardião do Templo (grego, neokoros). Foi a primeira cidade da Ásia a construir um templo para a adoração da cidade (deusa) de Roma (195 a.C.) e escolhida em 26 d.C. como local do templo ao imperador Tibério. A arqueologia descobriu imagens, na praça principal da cidade, de Posêidon (deus grego do mar) e de Deméter (deusa grega da ceifa e da terra).

A Apresentação de Jesus

Como em cada carta, Jesus se apresenta de uma maneira ímpar e de acordo com a necessidade daquela congregação local. Para Esmirna Ele se apresenta como o Primeiro e o último, que foi morto e reviveu. Um dos atributos incomunicáveis de Deus é a Eternidade. Ele não possui princípio de dias, não foi criado, mas é o Criador. O fato de se apresentar como o primeiro e o último, mostra sua existência eterna tanto para o passado quanto para o porvir. Em outra ocasião, Jesus se apresenta a João como o alfa e o ômega, aquele que era, que é e que há de vir (cf Ap 1.8). Alfa é a primeira letra do alfabeto grego e ômega a última letra. É como se Ele dissesse: “Eu sou o a e o z” para nós brasileiros. Além disso, Sua eternidade é exposta mostrando que antes que alguém fosse alguma coisa, antes de toda criação, Ele já era. Não apenas existiu, mas continua existindo, porque Ele é o verdadeiro caminho. Sempre será e há de voltar.  Para terminar Sua apresentação a João, Ele ainda mostra mais um de Seus atributos incomunicáveis: Sua onipotência, Ele é o Deus Todo-Poderoso. Como a Igreja em Esmirna estava sofrendo fortes perseguições, Jesus termina Sua apresentação dizendo que é o que foi morto e reviveu, destacando a vitória sobre a morte na ressurreição. Eles, sendo fiéis, poderiam nutrir a mesma esperança: a de vencer a morte e ressuscitarem.

Características de Esmirna

Esmirna é uma das igrejas que estavam aprovadas. Somente ela e Filadélfia não sofreram críticas. Uma de suas características positivas, elogiadas pelo Mestre era a Pobreza Material x Riqueza Espiritual. Enquanto o vírus da Teologia da Pro$peridade contamina a Igreja do século XXI, Esmirna não possuía grandes posses e é reconhecida por Jesus como pobre materialmente. Todavia, embora fossem materialmente desprovidos, possuíam a verdadeira riqueza, a espiritual. Jesus disse que devemos ajuntar tesouros em um lugar onde a traça não pode consumi-la, onde a ferrugem não pode corroê-la e onde ladrões não podem roubar (Mt 6.19,20). Não que seja proibido ao cristão possuir bens materiais e até mesmo a riqueza, mas o discurso de Jesus é que essas coisas são passageiras, não podem ser trasladadas para a vida eterna e não possuem, portanto, nenhum valor eterno. O paradoxo “sois pobres, mas sois ricos”, reflete apenas a necessidade de compreendermos a inversão de valores. Enquanto a humanidade busca riquezas materiais, Jesus diz que aquela Igreja era rica, mas não de bens terrenos e sim de perseverança, fé e outras preciosidades espirituais.

Jesus dizia conhecer a blasfêmia dos que se diziam judeus e não eram. O Apóstolo Paulo disse que “não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Rm 2.28,29). Na Nova Aliança, Israel não é mais uma nação privilegiada, a Graça se estende a todos, não havendo “grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo ou livre, mas Cristo é tudo em todos” (Cl 3.11). Embora a adoção, a glória, os pactos, a promulgação da lei, o culto, as promessas, os patriarcas, a descendência de Cristo sejam provenientes de Israel, Paulo diz que “nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6b). A Igreja agora é “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (1 Pe 2.9 – grifos meus). Para ser um verdadeiro escolhido de Deus não se dá por um sinal externo e sim por um sinal interno. Não é a circuncisão exterior que marca um verdadeiro adorador, mas a circuncisão do coração, a marca do novo nascimento. Jesus sabia que os pseudo-judeus perseguiam e blasfemavam contra os irmãos em Esmirna, mas quem tinha a marca da salvação eram os irmãos perseguidos.

Não apenas a riqueza espiritual e a blasfêmia dos judeus era conhecida, mas também a tribulação que eles passavam. Esta, era demarcada por três aspectos: Prisão, Provação e Morte. É mister comentar que, temos total liberdade para professar nossa fé na nação brasileira, pelo menos por enquanto. Assim sendo, devemos aproveitar ao máximo desse benefício. Em várias nações da chamada “cortina de ferro”, Bíblias são proibidas e elas entram contrabandeadas. Os cristãos que lá residem têm muitas das vezes, algumas páginas e alguns trechos das Escrituras e se alegram bastante com isso, ao passo que em nações livres, o povo de Deus nem sequer a lê. Se lermos, em média, três capítulos e meio por dia, finalizamos toda a Bíblia em uma ano. E nem assim, os cristãos lêem a bendita Palavra do Deus Vivo. Em algumas nações, dizer que é cristão é motivo de prisão, vergonha para a família e em muitos casos de morte. Aqui, podemos pregar o Evangelho em praças públicas, para nossos colegas de trabalho, vizinhos e para quem quer que seja, correndo o único risco de nos chamarem de quadrados. Os irmãos de Esmirna estavam para serem lançados na prisão por simplesmente seguirem e servirem àquele que nos amou primeiro. O segundo aspecto da tribulação era marcado pela provação. Aqueles irmãos provavelmente foram submetidos a tortura, com o intuito de levarem a fé genuína à prova. Se a pessoa negasse a Cristo, seria também negada diante de Deus, mas se fosse fiel e afirmasse sua fé, confessando o Messias diante dos homens e das circunstâncias, Ele também confessaria essa pessoa diante do Pai e dos anjos (Mt 10.32,33; Ap 3.5). Quanto estaríamos dispostos a morrer ou sofrer tortura por amor a Cristo? O terceiro aspecto era a morte. O conselho de Cristo era que eles fossem fiéis até a morte, ou seja, ainda que a perseguição e torturas fossem seguidas de martírio, que eles não desanimassem, mas perseverassem e fossem fiéis até a morte.

Promessas

O conselho de Jesus era que eles não temessem aqueles que poderiam matar o corpo, pois eles não tinham condições de tocar no espírito (cf Mt 10.27,28). Se fossem fiéis até o fim, ainda que custasse a vida, receberiam a coroa da salvação. O que vencesse não sofreria o dano da segunda morte em nenhuma hipótese. Fica para nós o entendimento de que vale a pena sermos fiéis a Deus, trabalhando “não para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações” (1 Ts 2.4b).

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Igreja Que Deixou o Primeiro Amor

Ap 2.1-7“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres. Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.”

Nas próximas semanas investirei meu tempo em estudar as cartas de Jesus enviadas às igrejas da Ásia. Como estamos estudando em série esse assunto na nossa congregação, acho interessante aproveitá-lo aqui e dissecar ao máximo para nossa compreensão. Essas cartas estão registradas nos capítulos 2 e 3 do livro das Revelações, o Apocalipse. O livro em questão, tem sofrido vários pontos de vista de interpretação, tais como o preterista, histórico, futurista, simbólico e eclético. Entretanto, não há como desconsiderar a aplicação contemporânea dessas cartas, escritas por João e ditadas por Jesus (Ap 1:10,11). Que o Senhor nos abençoe nessas 7 próximas meditações.

Podemos observar que, todas elas embora possuam suas particularidades, possuem também similaridades. a) Todas elas são dirigidas “ao anjo da igreja” (o pastor). b) possuem uma descrição abreviada dAquele que as envia, a saber, o Cristo. c) Jesus afirma a todas “Sei” (2.2,9,13,19; 3.1,8,15). d) possuem ou uma palavra de louvor ou de censura. e) O Messias lembra de Sua vinda e o que há de acontecer conforme a conduta de cada pessoa. f) A cada igreja é repetido “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. g) Há ainda promessas aos vencedores do bom combate da fé, dizendo “ao que vencer...”.

A primeira carta é dedicada a Éfeso, cidade mais importante da província romana da Ásia. Foi situada perto do mar Egeu. Duas estradas importantes cruzaram essa cidade, uma seguindo a costa e a outra continuando para o interior, passando por Laodicéia. Assim, Éfeso teve uma localização importantíssima de contato entre os dois lados do império romano (a Europa e a Ásia). Historiadores geralmente calculam a população da cidade no primeiro século entre 250.000 e 500.000. Éfeso era conhecida, também, como o foco de adoração da deusa da fertilidade, Ártemis ou Diana.

No final de sua segunda viagem, Paulo deixou Áqüila e Priscila em Éfeso, onde corrigiram o entendimento incompleto de Apolo sobre o caminho do Senhor (Atos 18:18-26). Na terceira viagem, Paulo voltou para Éfeso, onde pregou a palavra de Deus por três anos (Atos 19:1-41; 20:31). Na volta da mesma viagem, passou em Mileto e encontrou-se com os presbíteros de Éfeso (Atos 20:17-38). Durante os anos na prisão, Paulo escreveu a epístola aos efésios. Também deixou Timóteo em Éfeso para edificar os irmãos (1 Timóteo 1:3).

Desde o início, houve a necessidade de examinar doutrinas e aceitar somente o que Deus havia revelado. Assim, Áqüila e Priscila ajudaram Apolo (Atos 18:26); Paulo advertiu os presbíteros do perigo de falsos mestres entre eles (Atos 20:29-31), e orientou Timóteo a admoestar os irmãos a não ensinarem outra doutrina (1 Timóteo 1:3-7). A carta de Paulo aos efésios destacou a importância do amor (5:2), um tema frisado, também, nesta carta no livro do Apocalipse.

1.      Pontos positivos

1.1.   Boas obras: Embora saibamos que as obras não possuem poder salvífico e que não são um fim em si mesmas, fazem parte da vida de todo cristão. O contraste Fé x Obras ainda hoje é discutido e muitas pessoas interpretam de forma equivocada. De fato, a salvação não vem por obras, para que ninguém se glorie e sim mediante a Graça, o favor imerecido de Deus. Se fosse por obras, as pessoas diriam que mereceriam gozar da vida eterna porque ajudaram isso, aquilo, esse ou aquele. Se fosse mediante obras, teríamos que conviver eternamente com ateus ou até mesmo adeptos de ocultismo no mesmo céu, somente porque fizeram obras filantrópicas. Se fosse mediante obras, muitas pessoas se achariam com mais direito que outros por terem auxiliado mais em suas condições (Ef 2.8,9). A salvação vem através do sacrifício vicário de Cristo na cruz do calvário, onde Ele levou sobre si os nossos pecados. Acreditar que obras podem fazer algo em nosso favor descarta o sacrifício de Jesus e dá poder ao homem para auto salvar-se. Apesar de obras não salvarem, devem fazer parte do nosso cotidiano cristão. É um fruto do Espírito (Gl 5.22) e é uma amostra conseqüente daquele que nasceu de novo. Nossa nova natureza em Cristo leva-nos a praticar um de Seus atributos a bondade. Por isso é que Tiago diz que a fé sem obras é morta, pois todo salvo naturalmente precisa ser bom (Tg 2.14-26). Aquela Igreja é elogiada por Jesus em função de suas boas obras, um grande contraste com a Igreja do século XXI que é egoísta e amante da prosperidade.

1.2.   Trabalhadora: Se por um lado alguns ministérios exageram no ativismo religioso e acabam enchendo seus fiéis de tarefas locais, Éfeso trabalhava na Seara do Senhor. O verdadeiro papel da Igreja é missionário, a tarefa genuinamente bíblica para o Corpo de Cristo é anunciar as Boas Novas. Foi para isso que Jesus prometeu derramar poder sobre a Igreja, para sermos testemunhas locais, regionais, nacionais e mundiais (At 1.8).

1.3.   Perseverantes: Mesmo sendo perseguida não negou o Nome de Jesus e não desfaleceu. Podemos ler na carta de Paulo aos efésios que nossa luta não é contra carne ou sangue, ou seja, contra as pessoas que tentavam paralisar a obra missionária, contra governantes, autoridades e outros grupos religiosos. A batalha é espiritual, contra principados e potestades que cegam o entendimento dos incrédulos (Ef 6.12; 2 Co 4.4). Anunciar o Evangelho não é fácil, mas precisamos ser perseverantes e não entregar os pontos jamais, afinal, as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja (Mt 16.18).

1.4.   Sede de Justiça: Eles não suportavam os maus. É incrível como muitas pessoas se zangam quando analisamos falsas doutrinas. Ensinos anti-bíblicos quando analisados são levados para o lado pessoal e muitos chegam a descer o nível para defender cegamente uma seita ou uma heresia. Quando percebemos que alguns falsos mestres têm introduzido ensinos totalmente distorcidos, seus seguidores deixam de lado a Bíblia e preferem ficar com o que o “doutor da Lei” diz. Não podemos achar graça nos falsos ensinos e falsos mestres que têm feito da fé de ovelhas indefesas um negócio, não podemos suportar os maus (Mt 5.6; 1 Co 13.6). A Igreja deve tomar cuidado com os falsos mestres e rejeitar seus ensinos (Rm 16.17,18; Tt 3.10,11).

1.5.   Apologética: No meio dos pontos positivos, Jesus levanta dois elogios pela batalha doutrinária. Ele comenta sobre os falsos apóstolos (ver artigo “Existem Ainda Apóstolos nos dias de hoje?” postado em Agosto de 2011 aqui no blog) e um grupo herético chamado de nicolaítas. O primeiro grupo era colocado à prova através de seus ensinos e foram achados mentirosos e o último tinha suas obras repudiadas e aborrecidas. Não queremos com isso dizer que estamos com a temporada de caça às bruxas aberta, mas que é mister que todo crente analise os ensinos que são propagados no arraial evangélico. Precisamos ser como os bereanos que analisavam cautelosamente os ensinos de nada menos que o Apóstolo Paulo (At 17.10,11). Aliás, o mesmo Apóstolo Paulo nunca se chateou por isso, ele mesmo ensinou aos gálatas que se ele mesmo, outro pregador ou até mesmo algum anjo ensinasse outro Evangelho, que este deveria ser anatematizado (Gl 1.8). O mesmo Paulo disse aos anciãos de Éfeso que cuidassem do rebanho de Deus, pois entrariam lobos cruéis com doutrinas perversas (At 20.28-30). Enfim, é importante que a Igreja tenha em mente a importância do crescimento sadio e qualitativo, e para isso, precisamos batalhar pela fé que uma vez nos foi dada (Jd 3).

2.      Pontos negativos

2.1.   Deixou o primeiro amor: Não foi repreendida por problemas doutrinários, mas porque deixou para trás o primeiro amor. Talvez na ânsia pelo conhecimento, permitiram que a soberba adentrasse em seus corações (Ec 1.16; 1 Tm 1.3-7) e passaram a ser insensíveis. O primeiro amor é aquele em que o cristão tem prazer em estar no culto, recebe as coisas com alegria, ora com entusiasmo, exercita e exerce a fé com total convicção e plena certeza, caminha milhas para alcançar um perdido, trabalha com carinho na Obra de Deus, dentre varias outras coisas, a lista é grande. Muitos quando perdem o primeiro amor vão para as reuniões de sua igreja para cumprir um mero formalismo, quando não, por obrigação ou religiosidade. Eles haviam deixado o primeiro amor para trás e precisavam recuperá-lo.

3.      Conselhos
3.1.   Lembra-te de onde caíste: O que fez o filho pródigo voltar para a casa do Pai? Não foi a comida ruim que estava se alimentando e nem mesmo a tristeza por ter perdido tudo. Foi a lembrança da casa de seu Pai. Semelhantemente, Jesus exorta a Igreja a se lembrar de como era a vida espiritual antes, durante o primeiro amor.

3.2.   Arrepende-te: Quando Jesus mostra-nos a verdade nunca é com o intuito de ferir ou de meramente apontar nossos erros. Seu objetivo é conduzirmos ao verdadeiro arrependimento. Há diferença entre arrependimento e remorso. Basta compararmos a atitude de Pedro e a de Judas Iscariotes. Este, simplesmente se entristeceu pelo o que havia feito, devolveu as moedas, mas decidiu se matar. Aquele, deu a volta por cima, recebeu o perdão de Deus e tornou-se um grande missionário. A tristeza de Deus gera em nós o verdadeiro arrependimento, já a tristeza do mundo gera morte (2 Co 7.10); O conselho divino é que não pequemos, devemos fugir e evitar o mal ao máximo, todavia, se por acidente errarmos o alvo, temos um advogado junto ao Pai, Jesus Cristo o Justo, o qual lhe dirá: “vá e não peques mais” (Pv 28.13).

3.3.   Volta às primeiras obras: Lembrando daqueles momentos, os irmãos efésios poderiam ter o parâmetro de qual era o desejo de Deus para suas vidas e assim voltar às primeiras obras. Caso você amado leitor esteja longe do primeiro amor, lembre-se de onde caiu, arrependa-se, volte às primeiras obras e deixe Deus te usar!!!